26/12/10
Diário as Beiras: Ganhar a lotaria é perigoso!

 

Recordo-me de ter assistido, em tempos, a uma cena muito interessante. Cinco a seis crianças, praticamente da minha idade, brincavam num largo quando foram interpelados por duas senhoras vestidas de preto. Pararam para responder onde habitava certa senhora, “mulher de virtude”, mas não se quedaram na informação, gaiatamente aconselharam as “utentes” para que não se esquecessem de pedir à senhora o número da sorte grande. Ato contínuo, expeliram risinhos marotos, deram gás aos pneus de bicicleta com os seus bastões, fugindo cada um para o seu lado. Matutei no assunto e conclui que, se a mulher descobria o futuro, também deveria conhecer o número da sorte grande e, desta forma, poderia fugir à miséria que a circundava. Sim, porque a localidade, as habitações e as condições de vida daquela gente era de uma pobreza confrangedora. Pensei que a tal “mulher de virtude” deveria sofrer imenso com a sua perspetiva de futuro, devido às suas artes divinatórias. Terrível fado, uma pessoa que adivinhava a miséria do seu próprio destino e não era capaz de ficar com a sorte grande que lhe possibilitasse ter uma vida mais condigna.

Muitos procuram a sorte no jogo e tudo fazem para ganhar e fugir à miséria ou à pobreza. Os portugueses podem ser considerados como jogadores compulsivos, basta olhar para o que gastam, e ganham, nos ditos jogos legais. Até são estimulados, à exaustão, a comportarem-se dessa maneira, e não é só na lotaria, no totoloto, no euromilhões ou no totobola, mas também nos concursos televisivos. Tudo o que seja dinheiro fácil é uma atração, procurando, deste modo, solucionar muitos dos seus problemas.

Não tenho nada contra quem joga. Confesso que já fiz uma ou outra aposta, mas sem qualquer convicção. Nem os grandes prémios do totoloto me seduzem. A somar à elevada improbabilidade de ganhar, acrescento, meio a sério meio a brincar, que o risco de ganhar a taluda pode ser muito perigoso para a saúde, bem-estar e segurança. Contra-argumentam da maneira mais previsível, “está bem, está”, “tomara eu”, “qual quê”, “ai seu ganhasse, o que não faria”, “tretas”, entre outras banalidades próprias da ocasião.

Mas é verdade. Quem ganha ao jogo, sobretudo a partir de certo quantitativo, e não são precisos milhões, a saúde das pessoas não melhora, agrava-se, já que passam a comemorar mais, bebendo, comendo, enfim, sofrem uma alteração substancial dos hábitos. Quanto ao bem-estar mental, numa primeira fase, ocorre uma explosão agradável, mas não tem continuidade no futuro. Sob o ponto de vista financeiro, nos primeiros dois anos, o risco de bancarrota diminui cerca de 50%, mas a partir daqui aumenta. A riqueza dos que ganharam prémios chorudos é transitória e o risco de perturbações físicas é uma realidade, demonstrada através de alguns estudos epidemiológicos recentemente publicados.

Ante estes dados, à minha conceção do jogo e à volubilidade do dinheiro fácil, pergunto se a tal “mulher de virtude” não teria já adivinhado as consequências do perigo em ganhar a sorte grande, evitando, assim, pôr em causa a sua saúde física e bem-estar…

Fonte: Diário As Beiras

 

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